
A tortura contra crianças, mulheres e homens palestinos é sistemática, generalizada e se tornou doutrina de Estado em Israel, afirma a relatora especial das Nações Unidas (ONU) para os direitos
humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese. Em relatório publicado nesta semana, Albanese sustenta que a prática tem apoio dos altos escalões do Executivo, do Legislativo e do
Judiciário, além da própria sociedade civil, sendo parte de uma dominação colonial e uma arma do genocídio em curso contra o povo palestino.
“Além do aparato estatal, profissionais da saúde, autoridades religiosas, jornalistas, acadêmicos, figuras públicas e outros segmentos da sociedade contribuíram para a retórica, o consentimento e as
condições operacionais que sustentam essas violações”, diz o relatório. Apesar de destacar que a tortura sempre foi praticada contra os palestinos em Israel, ela teria ganho mais recentemente uma
escala sem precedentes e uma legitimação social que perpetua a impunidade. “O que antes funcionava nas sombras agora é praticado abertamente: um regime de humilhação, dor e degradação organizadas,
sancionado nos mais altos escalões políticos”, completa a relatora da ONU para os territórios palestinos.
Relatora especial das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese. REUTERS/Denis Balibouse/Proibida reprodução Proibida de entrar em Israel,
Francesca Albanese descreve, em 23 páginas de relatório, o resultado de mais de 300 depoimentos, incluindo relatos de sobreviventes das torturas, denunciantes israelenses e organizações que atuam nas
prisões de Israel. Em nota, a missão de Israel em Genebra acusa a autora de antissemitismo e defende que o relatório “mina fundamentalmente a credibilidade e a autoridade moral dos órgãos de