Trabalho de cuidado: “Mulheres têm escala 7x0”, diz pesquisa...

Boa parte dos trabalhadores brasileiros está descansando neste feriado de 1° de maio, que marca o Dia do Trabalhador.  Existe uma categoria, no entanto, que não consegue parar nem nos feriados, nem

nos fins de semana e, muitas vezes, nem quando adoece. São as pessoas que cuidam de crianças, idosos e do ambiente doméstico, garantindo a sobrevivência e o bem estar dos membros de suas famílias. 

Essa função tem gênero bem definido: mulheres dedicam quase dez horas a mais por semana aos cuidados de outras pessoas e da casa, segundo dados oficiais do IBGE.

Para a professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cibele Henriques, trata-se de uma desigualdade com raízes históricas, construída ao redor de um discurso simbólico que

se sustenta até hoje.  “Não existe um laboratório para gerar humanos, então não tem como substituir o trabalho de reprodução feito pelas mulheres.

Ele é o útero motor do capitalismo, porque gera capital humano. Pra garantir que ele seja feito, se cria, com a ajuda da Igreja a ideia desse amor materno mítico e dessa obrigação”, explica.  Ela

complementa, fazendo uma referência à frase famosa da filósofa feminista Silvia Federici – O que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago.

“Mas esse amor, na verdade, é trabalho não pago, que traz sobrecarga psíquica, física e social e retira da mulher a possibilidade de ter saúde mental e social.” Cuidado Cibele estuda o tema do

Cuidado há muitos anos e vivencia essa sobrecarga na prática como mãe de duas filhas. Ela é co-fundadora do Observatório do Cuidado, que estimula a produção acadêmica sobre o tema, e do Fórum de Mães

Atípicas do Rio de Janeiro, uma ponte para fora da universidade, para conectar mães e incidir politicamente.

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