
Entre 2000 e 2025, de 4.321 pessoas que responderam por violar os direitos de trabalhadoras e trabalhadores, 1.578 foram absolvidas (37%) e apenas 191 (4%) foram condenadas por todos os crimes
atribuídos a elas. Neste 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, um núcleo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), integrado por advogados e estudantes de direito,
divulga levantamento mostrando a durabilidade da lógica escravista nas relações profissionais. De acordo com a Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da instituição, também corresponderam
a 4% (178) os réus com condenação parcial. Outra constatação foi relacionada ao tempo que as ações penais levam para conclusão - chegar ao estado de transitado em julgado - na Justiça Federal: 2.636
dias, o equivalente a mais de sete anos. No período, o total de vítimas é de 19.947 - a maioria, 3.936, do gênero masculino, contra 385 mulheres. Os dados, retirados do Jusbrasil, são públicos e
revelam ainda a dificuldade que as vítimas têm para comprovar o crime. A clínica da UFMG observou uma exigência, presente em diversas decisões judiciais analisadas, de demonstrarem que os patrões os
impediu de ir e vir livremente - na lei, isso é colocado como restrição direta da liberdade de locomoção.
Os integrantes da clínica pretendem disponibilizar os dados em um painel interativo, alimentado pelo Jusbrasil, com inteligência artificial. A ferramenta permitirá a visualização de indicadores como
duração dos processos, decisões judiciais, regiões do país, tipos de provas e desfechos das ações. Desalinhamento entre poderes À frente da Clínica, o juiz federal Carlos Borlido Haddad culpa o Poder
Judiciário pelos decepcionantes resultados das ações movidas. "A legislação é magnífica. O problema é a aplicação", resumiu Haddad, em entrevista à Agência Brasil.