
Aroma e conhecimento popular se mesclam em banquinhas de ervas espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro, em feiras livres ou nas esquinas, da zona norte à zona sul.
Nesses pontos de venda, saberes passados de geração em geração receitam chás, xaropes, escalda pés, banhos e outras preparações.
Mesmo sem comprovação medicinal para curar doenças, as preparações promovem o bem-estar e, por isso, no fim de ano, cresce a procura por folhas para banhos energéticos e rituais.
Em um ponto da Rua da Carioca, no Centro, o erveiro José Adaílton de Souza Ferreira borrifa suas plantas, de tempos em tempos, para protegê-las do calor.
Empilhadas em um carrinho de mão estilo “burro sem rabo”, estão ramos de macassá, levante, manjericão, arruda, alfazema, alecrim e sálvia, “as mais procuradas para banhos energizantes ou de
‘descarrego’, contra inveja e olho grande”, prescreve. “Tem tanta gente que chega carregado aqui, toma um banho de abre-caminho, desata nó, vence demanda, e a pessoa melhora muito”, conta o erveiro,
que dá instruções simples: “Cozinhar ou esfregar, um dos dois, e depois jogar da cabeça aos pés”. O erveiro José Adaílton de Souza Ferreira mostra as ervas para banho energético e espiritual que
vende em um ponto na Rua da Carioca, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil As folhas ainda são procuradas para cuidados de saúde, caso do saião, guaco e assa-peixe, usadas para
incrementar xaropes caseiros, mas a maior demanda dos erveiros é para o uso em banhos energéticos ou rituais. As religiões indígenas e de matriz africana utilizam as plantas nas celebrações.
No candomblé, por exemplo, as folhas, chamadas ewés, carregam o axé, a força vital que conecta o mundo espiritual ao mundo real, sendo cada espécie usada para uma finalidade, como oferendas, banhos e