
“Um momento fundador da nossa identidade coletiva”. Assim a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, um dos maiores nomes da música lusófona contemporânea, resumiu a atuação da seleção de Cabo Verde na
Copa do Mundo 2026. Em sua primeira vez no mundial, os chamados Tubarões Azuis se despediram da competição na fase de 16 avos de final.
Antes, porém, surpreenderam o mundo e conquistaram torcedores de outras nacionalidades ao empatar com duas campeãs mundiais (Espanha e Uruguai), eliminar a Arábia Saudita e enfrentar de igual para
igual a tricampeã Argentina, de Lionel Messi, em uma das partidas mais emocionantes do torneio. Vozinha e companheiros da seleção de Cabo Verde, que fizeram sucesso na Copa do Mundo, são recebidos
com festa em Praia, capital do país africano - Foto: Sodiq Adelakun /Reuters/ Proibida reprodução “Os Tubarões Azuis deram uma lição de humildade e de resiliência ao mundo”, afirmou Mayra em
entrevista à TV Brasil e à Telesur, na última segunda-feira (6), dois dias após os cabo-verdianos serem eliminados. “Não sou uma adepta do futebol, mas sempre assisti à Copa do Mundo.
Está sendo uma descoberta gigantesca perceber o que é torcermos por uma bandeira. Para nós, cabo-verdianos, isto é inédito”, disse Mayra.
Para ela, os brasileiros – habituados à presença nas Copas – podem não compreender o sentimento que tomou conta do arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas a 600 quilômetros da costa africana e
dos milhares de cabo-verdianos espalhados pelo mundo. Isso ficou visível na festa com a qual os jogadores foram recebidos ao chegar a Cabo Verde, no domingo (5), dia em que se celebrava a
independência nacional. “Você acha que existe alguma coincidência nisso? Acho que não. Está tudo escrito”, refletiu a cantora.