
Do terraço de casa, o casal de indígenas Dórisson Borari e Maria Munduruku têm uma vista privilegiada para o Rio Tapajós, o Lago Verde, a Ponta do Marataí e a Ilha do Amor.
Esta última, a principal atração de Alter do Chão, vila do município de Santarém, no Oeste do Pará. Em vez de guardar o espaço apenas para si, eles decidiram transformá-lo em hospedagem e
compartilhar a experiência com os turistas. Criada em 1997, a Pousada do Mingote orgulha-se de ser a mais antiga em atividade na região.
“Temos conseguido manter nossas raízes valorizando as riquezas que temos na natureza, cultura, culinária e história”, diz Dórisson Borari.
Ele conta que a família segue com a tradição dos diferentes povos que moram há tempos na região. "Primeiro, havia os nômades.
Depois, vieram outros povos como os Borari, que encontraram aqui um lugar abençoado, que supria tudo o que precisavam e decidiram ficar”, completa.
Para acolher os visitantes, a pousada investiu em mudanças estruturais e elementos decorativos que pudessem evidenciar as tradições locais.
Isso pode ser visto nos objetos que ficam nos corredores e em outras áreas comuns. Pousada do Mingote fortalece turismo sustentável. - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Um exemplo é o Arco do Sairé,
estrutura de cipó adornada com fitas coloridas e quatro cruzes, que simboliza o sincretismo das crenças indígenas e católicas.
Ele é utilizado na festa conhecida como Sairé ou Çairé, celebrado anualmente em setembro na vila. Boa parte dos objetos foi reunida por Maria Munduruku, que se vê como uma guardiã da memória local.