UFRJ homenageia vítimas da ditadura com diplomas póstumos

Há 53 anos, o estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca foi levado para uma dependência do Exército no Recife.

Enquanto era torturado por 20 dias, a mulher grávida e o filho de 3 anos ficaram presos em um hotel. A família foi liberada depois do assassinato de Fernando e da entrega do corpo.

A viagem para o Nordeste tinha ocorrido para fugir da repressão da ditadura militar. Por causa da militância estudantil, Fernando havia sido expulso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),

teve de abandonar o emprego e a vida na capital carioca. Nesta quinta-feira (9), ele foi um dos 23 estudantes homenageados com um diploma de conclusão de graduação pela UFRJ.

Outros dois professores da instituição vítimas da ditadura também foram lembrados. O filho de Fernando, o administrador André Luiz Araújo da Fonseca, de 56 anos, recebeu o diploma em nome do pai e

disse que o documento simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo. “Essa identidade como estudante de Economia era muito forte para ele.

O diploma encerra um ciclo, é como se ele estivesse atingindo aquele objetivo lá do passado. De todas as homenagens que ele já tinha recebido, essa para mim é a que tem mais peso”, diz.

“Vou botar o diploma dele junto com o meu na parede”, complementa André, que se orgulha por ser hoje professor da mesma UFRJ.

Rio de Janeiro (RJ), 09/09/2026 - Cerimônia de diplomação póstuma de estudantes e professores da UFRJ mortos e desaparecidos durante a ditadura militar.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Memória e resistência Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, disse que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a

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