
Um total de 354 casos de violência política (um a cada 44 horas), entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, representou o mais grave período pré-eleitoral da década, aponta estudo divulgado
nessa quarta-feira (30) pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global. Para a coordenadora de incidência política da ONG Terra de Direitos, Gisele Barbieri, o cenário
configura grave ameaça não apenas à vida de mandatários, mas à sustentabilidade do regime democrático e das instituições. As mulheres foram vítimas de metade (50,6%) de todos os episódios de
violência política. Elas ocupam apenas cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gisele defende uma atuação conjunta do Estado para
enfrentar a situação. “Principalmente no que se refere aos casos contra mulheres, cisgêneras, transexuais e travestis que foram metade das vítimas dos episódios de violência política”, afirma.
A violência física (agressões, atentados e assassinatos) tem homens como alvos em 77,2% dos casos. Já a violência simbólica (ameaças e ofensas) atingiu mais as mulheres (58,3%). Ameaças de violência
sexual (31 casos) e episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre o corpo e aparência (67 casos) tiveram 100% dos casos relacionados a mulheres. O estudo, que chegou à quarta
edição, mostra que 96,3% dos episódios ocorreram contra ocupantes de cargos eletivos. “A violência política contra as mulheres é sistêmica e evidencia o quanto o nosso sistema democrático impede o
acesso das mulheres aos espaços de poder e decisão”, acrescenta a pesquisadora. Segundo uma das coordenadoras da pesquisa, Franciele Petry, a violência política pode intimidar novas candidaturas.
“A violência política precisa ser enfrentada porque sua reprodução impede justamente uma participação plena e efetiva de determinados grupos e corpos”.