
As meninas e mulheres vítimas de violência sexual não sofrem apenas os danos físicos e psicológicos imediatos.
Esses eventos podem aumentar em 74% a chance de que elas desenvolvam problemas cardíacos, de acordo com um estudo baseado em dados oficiais brasileiros. A pesquisa foi publicada na revista Cadernos
de Saúde Pública e traz também uma análise por doenças de forma individualizada. Mulheres que sofreram violência sexual apresentaram maiores níveis de infarto do miocárdio e arritmias, em comparação
com mulheres que não sofreram. Já nos casos de angina e insuficiência cardíaca não houve discrepâncias significativas. O pesquisador do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade
Federal do Ceará, Eduardo Paixão, explica que as conclusões foram obtidas aplicando ferramentas estatísticas aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) em 2019. A Pesquisa Nacional de Saúde é o principal levantamento oficial sobre a saúde da população brasileira, feito a partir de mais de 70 mil entrevistas que são
representativas da população brasileira. Entre os diversos assuntos, investigou tanto a ocorrência de violência sexual, quanto de doenças cardíacas, o que possibilitou o cruzamento dessas duas
variáveis. Como diversas questões podem influenciar a ocorrência de doenças cardiovasculares, a equipe de pesquisa também usou ferramentas estatísticas para bloquear a interferência da idade, cor da
pele, orientação sexual, escolaridade e região de habitação. Assim, foi possível ter certeza de que o aumento observado foi provocado pela violência sofrida. Impactos Eduardo Paixão diz que, na
maioria das vezes, as pessoas pensam apenas na saúde mental, quando querem investigar os efeitos da violência sexual, mas o trauma pode repercutir em outras áreas.