Os sinais que Lula dará sobre a política fiscal em 2026

Os sinais que Lula dará sobre a política fiscal em 2026
(Bloomberg) — A escolha do novo ministro do Planejamento, que substituirá Simone Tebet, pode indicar a direção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomará em relação à política fiscal em 2027, caso seja reeleito, segundo membros do governo. As especulações sobre o sucessor variam, mas os principais candidatos são Bruno Moretti, atual secretário especial de análise governamental da Casa Civil, e Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Ambos possuem experiência em gestão orçamentária e conhecem os desafios das contas públicas que vão além de 2026. Moretti é visto como um candidato mais moderado, enquanto Esther é considerada mais desenvolvimentista, com maior inclinação para apoiar um aumento nos gastos públicos.
O novo ministro será responsável por apresentar a proposta orçamentária do governo Lula para 2027 e delinear a estratégia fiscal ao longo de 2026, o que pode servir como um indicativo do que esperar de um eventual quarto mandato de Lula.
Em relação ao Banco Master, o Tribunal de Contas da União (TCU) parece ter recuado na pressão para a liquidação do banco, mas especialistas acreditam que a crise ainda está longe de ser resolvida. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que apenas o Supremo Tribunal Federal poderia revisar o processo de liquidação, repassando a responsabilidade ao ministro Dias Toffoli, que já está analisando o caso. Essa situação tem retardado as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre possíveis fraudes relacionadas ao banco.
Redirecionar o tema ao STF não elimina a incerteza, mas apenas altera a estratégia que visa enfraquecer o trabalho realizado pelo Banco Central. O setor financeiro tem alertado sobre os riscos associados à erosão da autonomia do BC e à credibilidade das instituições. Dentro do governo, as ações do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda em defesa do BC são tão discretas que ainda não foram percebidas. Defensores dessa abordagem alegam que existe um trabalho nos bastidores para sustentar a posição técnica do BC. O ministro da Fazenda, inclusive, teria se oposto anteriormente à tentativa do Congresso de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para beneficiar o Master. No entanto, apesar da gravidade da situação, não houve manifestações públicas que poderiam ter ajudado até o momento. As instituições procuradas, incluindo o STF, a Fazenda e o Planalto, não se manifestaram sobre o assunto.
Vital do Rêgo anunciou que se reunirá com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na próxima semana para discutir o caso Master. Em entrevista ao SBT News, o presidente do TCU reiterou que a revisão da decisão de liquidação do banco não compete ao tribunal.
Quanto às eleições, aliados do presidente Lula consideram que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o candidato mais forte para concorrer ao governo de São Paulo, especialmente em um cenário onde Tarcísio de Freitas busca a reeleição. Enfrentar Tarcísio é visto como uma eleição difícil, mas a margem de derrota é relevante. O candidato apoiado por Lula não deve perder por mais de 10 pontos em São Paulo, e apenas um nome forte como o de Haddad poderia assegurar essa disputa. Contudo, a imagem que o ministro tem projetado é de desinteresse em concorrer em 2026, o que pode afetar sua aceitação entre os eleitores.



