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Tecnologia

IA alcança 93% dos brasileiros, mas apenas 54% entendem o que é, diz estudo

A pesquisa “Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil” revela que a maioria dos brasileiros (82%) já ouviu falar sobre IA e mais da metade (54%) entende o que é o termo. Por outro lado, 18% nunca ouviram falar e 46% não compreendem o seu significado.

Ainda assim, 93% das pessoas entrevistadas pela pesquiasa utilizam alguma ferramenta IA. Para 75% delas, atualmente, a IA faz parte do dia a dia, sendo que 32% acham que ela está muito presente.

IA por região, classe social e idade

A familiaridade com a IA é mais comum no Sudeste, onde 88% dos entrevistados afirmam que já ouviram falar, contra 73% no Nordeste, região que registrou o menor percentual. No Centro-Oeste foram 84%; no Norte, 83% e, no Sul, 80%. A maioria dos entrevistados que afirma ter ouvido falar na IA vive em regiões metropolitanas: 87% contra 79% no interior; entre pessoas brancas, são 85%, e 81% entre pessoas negras (pretos e pardos).

A IA também é mais percebida à medida que diminui a idade das pessoas entrevistadas e conforme cresce a escolaridade e a classe econômica. 94% já ouviram falar sobre IA entre aqueles com 16 a 24 anos de idade; 90% entre os de 25 a 34 anos, e 69% entre pessoas com 60 anos ou mais.

Em relação à escolaridade, 97% já ouviram falar sobre o termo IA entre aqueles que têm ensino superior; 91%, entre os que concluíram no máximo o ensino médio e 61% entre os que só concluíram o ensino fundamental. 94% já ouviram falar de IA entre as pessoas que são das classes econômicas A/B; 88% entre os da classe C e 66% entre pessoas das classes D/E.

Definição e fontes de informação sobre IA

Para definir o que é inteligência artificial, 36% das pessoas fazem menções relacionadas à sua finalidade, como a capacidade de obter informações, criar conteúdo (vídeos e imagens) e facilitar a vida e o trabalho. Outras definições se relacionam ao modo de acesso (celular, computador, redes sociais) da ferramenta (16%).

Contudo, poucas pessoas ao definir o que é IA fazem menções ao modo como ela opera – simulação da inteligência humana (14%), a ser uma inovação tecnológica (12%) ou ao potencial impacto da IA na sociedade (6%).

A pesquisa também aponta que a principal fonte de informação sobre o que é a IA para os brasileiros são as redes sociais, citadas por 66% dos entrevistados. Jornais e noticiários vêm na sequência, mencionados por 44%, e filmes, séries e ficção científica são mencionados em terceiro lugar, por 25% dos entrevistados.

Uso prático de IA no dia a dia

Para 75% dos entrevistados, a IA faz parte do seu dia a dia, divididos entre “muito” (32%) e “um pouco” (43%). Observa-se maior presença da IA no dia a dia, ou seja, dentre os entrevistados que responderam “muito”, à medida que aumenta a escolaridade (47% para aqueles com superior completo, 33% com no máximo o ensino médio e 21% entre aqueles que só concluíram o ensino fundamental) e classe econômica (40% nas classes A/B, 34% na classe C e 23% nas classes D/E).

A faixa etária entre 16 e 44 anos concentra o maior envolvimento com a IA no dia a dia, totalizando 38% entre 16-24 anos, 41% entre 25-34 anos e 38% entre 35-44. Entre pessoas com mais de 60 anos, a IA está presente no dia a dia de apenas 19% delas.

Ainda que 46% dos entrevistados não entendam o significado do termo, 93% declaram utilizar alguma ferramenta que aplica IA, sendo 89% em redes sociais como Instagram, Facebook e Whatsapp; 78% em sistemas de recomendação de filmes, vídeos e músicas, como Netflix, YouTube e Spotify; 63% com sistemas de navegação como Waze e Google Maps; 54% no uso de assistentes de voz como Alexa e Siri.

Ferramentas de geração de texto, como ChatGPT, Gemini e DeepSeek são utilizadas por 43% dos entrevistados, e 31% utilizam ferramentas de geração de imagem ou vídeo por IA, como Midjourney e DALL-E, por exemplo.

Uso de ferramentas

Entre os usuários de ferramentas de geração de texto, imagens, vídeos ou assistentes de voz com IA, 69% das pessoas utilizam apenas a versão gratuita das ferramentas, enquanto apenas 11% optam exclusivamente por ferramentas pagas e 20% utilizam ambas.

Entre os usuários de ferramentas que utilizam IA, 70% relataram uso para apoiar atividades no trabalho, para se divertir no tempo livre e para estudar. O uso para situações de apoio nas atividades do trabalho ou para divertimento no tempo livre foram relatados por 50% dos usuários de ferramentas que utilizam IA; o uso para estudar foi relatado por 47%.

O uso da inteligência artificial para trabalho e estudos é maior entre pessoas com nível de escolaridade mais alto – respectivamente, 74% para trabalho e 73% para estudos entre aqueles com nível superior completo. Entre as pessoas com no máximo o ensino médio completo, 50% usam para trabalho e 50% para estudos. Entre as pessoas com no máximo o ensino fundamental completo, 33% para trabalho e 25% para estudos.

O uso da inteligência artificial para o trabalho e estudos também é maior entre pessoas de classes econômicas mais altas (respectivamente, 68% e 63% nas classes A/B, 49% e 48% na classe C e 37% e 34% nas classes D/E). O uso da IA é mais frequente entre os mais jovens: entre 16-24 anos, 88% utilizam alguma ferramenta com IA para o trabalho, diversão ou estudo, porcentagem que cai gradativamente até chegar aos 47% entre os 60+.

Usos mais comuns

Entre os usos mais comuns da ferramenta, estão a busca por determinados temas ou assuntos (58%), resumo de documentos, encontrar informações rapidamente ou responder a perguntas complexas (56%), buscar recomendações de filmes, séries, jogos ou músicas (51%), aprender algo, encontrar referências ou sugestões de cursos (50%) e criar conteúdos como textos, imagens ou vídeos (45%).

Percepções sobre riscos e ganhos

Sobre os medos relacionados à IA percebidos pela população, em primeiro lugar vemos a coleta e uso de dados pessoais sem controle (42%), seguido por utilização para fins maliciosos, manipulação ou vigilância (36%), substituição de trabalhadores, causando desemprego em massa (34%), geração de desinformação convincente em larga escala (31%), diminuição da importância do educador no processo de ensino (29%) e ausência de leis e normas adequadas para regulamentar a inteligência artificial (25%).

Entre os ganhos que a IA pode trazer para a sociedade, foram apontados o apoio para o avanço da ciência e inovação (41%), melhoria da qualidade da educação (41%), avanços em diagnósticos médicos e tratamentos personalizados (39%), inclusão social e acessibilidade para pessoas com deficiência (35%), criação de sistemas inteligentes voltados para o conforto e consumo humano (31%) e melhoria da segurança pública e das formas de prevenção à acidentes (30%).

Impacto da IA e confiança da população

Quando perguntados sobre o impacto da IA, 8 em cada 10 pessoas entrevistadas concordam que os conteúdos gerados ou alterados por IA deveriam ser, por lei, claramente identificados como tal, sendo a frase com maior concordância entre as estimuladas. 74% acreditam que a existência de vídeos e áudios falsos, mas que parecem reais, reduz a confiança nas mídias digitais.

IA e saúde mental

Em relação ao uso enquanto ferramenta para auxílio em situações emocionais, 45% das pessoas já utilizaram IA para auxiliar na saúde mental de alguma forma; dessas, 42% sentiram que a IA não ajudou e 58% sentiram que a IA ajudou a lidar com questões emocionais ou de saúde mental. Em relação ao uso, 27% utilizaram a IA para aliviar ansiedade ou estresse, 26% para obter conselhos pessoais, 21% para conversar sobre sentimentos, 15% para meditação ou respiração guiada e 10% para simulação de escuta empática.

Ter utilizado a IA para auxiliar em alguma situação emocional aparece com maior intensidade entre entrevistados negros (pretos ou pardos) (46%) e entre aqueles na faixa etária entre 25 a 34 anos (56%).

Metodologia da pesquisa

Os dados, do Observatório Fundação Itaú e Datafolha, foram coletados entre 7 e 15 de julho de 2025, com entrevistas pessoais e individuais realizadas com 2.798 pessoas a partir de 16 anos de idade, de todas as regiões do país.

A margem de erro máxima para o total da amostra é 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

 

Fonte: CNN

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