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Acolhimento no RJ Estudo Revela Cenário de Abandono e Infraestrutura Precária em Abrigos

Acolhimento no RJ Estudo Revela Cenário de Abandono e Infraestrutura Precária em Abrigos

Um estudo realizado pelo Instituto Rede Abrigo, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, expôs condições críticas em abrigos e casas-lares do Rio de Janeiro. Crianças e adolescentes enfrentam falta de itens básicos, superlotação e ausência de suporte psicológico — um retrato que fere princípios fundamentais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

📌 Dados chocantes do estudo:

  • 84,43% das crianças e adolescentes acolhidos sofreram violência antes de ingressar nas instituições;

  • 72,49% foram vítimas de violência psicológica e 21,97% de violência sexual;

  • Apenas 44,4% recebem acompanhamento psicológico;

  • 32,56% dos abrigos não conseguem fornecer roupas íntimas;

  • 18,60% compartilham itens de higiene pessoal.

👁️ Realidade ignorada:
A pesquisa, que visitou 129 unidades de acolhimento — 83% da rede fluminense —, mostrou que a maioria das vítimas é negra (78,29%), reside em favelas ou periferias (62,72%) e vem de famílias chefiadas por mulheres (52,42%). A interseccionalidade entre raça, pobreza e violência é evidente.

🏚️ Estrutura degradada:
Mais de 53% dos abrigos apresentam problemas graves:

  • Infiltrações e mofo (37,98%);

  • Sistema elétrico precário (34,11%);

  • Infestações por pragas;

  • Móveis danificados (41,86%).

Em 12 unidades, a superlotação chega a mais de 30 pessoas — o limite é 20.

📉 Falta de preparo e recursos:
Quase 30% das instituições não oferecem capacitação para funcionários, e 67,44% dos gestores apontam a falta de treinamento contínuo como principal desafio. Além disso, 26,36% têm dificuldade para obter medicamentos.

🧠 Impacto educacional:
Quase metade (47,06%) das crianças e adolescentes apresenta defasagem escolar, e 27,51% das que estão em idade de alfabetização não sabem ler ou escrever.

❗ Conclusão urgente:
O acolhimento, que deveria ser um espaço temporário de proteção, tornou-se um ambiente de reprodução de desigualdades. O estudo reforça a necessidade de revisão das políticas públicas, investimento em infraestrutura e capacitação de profissionais.

💡 Como mudar?
É essencial:

  • Articular ações entre União, estado e municípios;

  • Destinar recursos para reformas e itens básicos;

  • Garantir acompanhamento psicológico contínuo;

  • Fiscalizar e fechar unidades irregulares.

A pergunta que fica: Como sociedade, vamos continuar negligenciando quem mais precisa de proteção?

Fonte: Instituto Rede Abrigo e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Dados coletados em 2023.

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