Artistas de Camapuã Brilham na Capital e Recebem Prêmio Arara Azul Tom do Pantanal

Artistas de Camapuã Brilham na Capital e Recebem Prêmio Arara Azul Tom do Pantanal
Girsel da Viola, Irmãos Diamante e Romário Amorim foram homenageados com medalha e diploma na Assembleia Legislativa, colocando a cultura camapuense em evidência estadual.
CAMPO GRANDE (MS) – A cultura de Camapuã foi destaque em uma noite de gala em Campo Grande. Três expressivos talentos do município – Girsel da Viola, os Irmãos Diamante e Romário Amorim – subiram ao palco do Plenário Deputado Júlio Maia, na Assembleia Legislativa, para receber a honraria “Arara Azul Tom do Pantanal”. A sessão solene, que celebrou a diversidade artística de Mato Grosso do Sul, foi uma iniciativa do deputado Roberto Hashioka, que indicou os músicos para a premiação.
A cerimônia reuniu músicos, duplas, grupos regionais, orquestras sinfônicas, representantes de entidades de classe e autoridades. O parlamentar destacou que a sessão solene representa uma oportunidade singular de reconhecer a amplitude e a riqueza dos gêneros musicais produzidos em Mato Grosso do Sul.
Para ele, homenagear artistas tão diversos, do hip-hop indígena à música clássica, passando pela música raiz e por outras expressões culturais, é reafirmar o protagonismo da arte na construção da identidade sul-mato-grossense. “É uma satisfação e um privilégio homenagear aqueles que, por meio da música, traduzem a cultura e a alma do nosso Estado”, afirmou. Hashioka lembrou que a Medalha “Tom do Pantanal – Arara Azul” já reconheceu nomes que hoje ganharam projeção nacional e internacional. “Premiar esses artistas é reconhecer o sucesso que constroem dentro e fora do Estado, levando nossa cultura para o Brasil e para o mundo”, completou.
Entre os diversos nomes consagrados, os representantes de Camapuã roubaram a cena e mostraram a força da arte que vem do interior.
Girsel da Viola: O Guardião da Cultura e da História

Mais do que um violeiro, Girsel da Viola é um artista dedicado à preservação e valorização da cultura brasileira. Com uma trajetória de 30 anos que une música e tradição, ele se destaca como cantor, violeiro, compositor, radialista, diretor de cultura, delegado de cultura por MS, e produtor cultural, além de ser um ativo defensor das raízes culturais regionais.
Como Diretor de Cultura de Camapuã/MS, Girsel coordena projetos que promovem a identidade local, como o Festival da Canção Estudantil, Encontro Nacional de Violeiros, Camapuã Rodeo Festival, Festival de Catira e Viola do MS. Sua música, carregada de emoção e autenticidade, reflete a riqueza das tradições sertanejas, conquistando espaço no coração de seu público e na história da cultura regional.
Seja através de acordes da viola ou da criação de iniciativas culturais, Girsel da Viola mantém viva a essência das raízes e inspira gerações a valorizar e perpetuar nossa herança cultural.
O compromisso com a cultura é uma tradição familiar. Ao seu lado, sua esposa, Ariane Rodrigues, também é reconhecida por seu trabalho, sendo agraciada pela Assembleia Legislativa com a Medalha Conceição dos Bugres, consolidando o casal como verdadeiros guardiões do patrimônio cultural sul-mato-grossense.

Durante a solenidade, a tradição pantaneira ecoou pelo plenário com a apresentação da Catira dos Irmãos Diamante, acompanhados por Girsel da Viola, que entoou “Pagode”, de Carreirinho, Tião Carreiro e Oscar Tirola, reforçando o protagonismo da música raiz no Estado. Girsel pontuou a alegria de levar à Assembleia Legislativa um pouco da tradição da viola e da catira, expressões que marcam profundamente a identidade musical sul-mato-grossense.
Em um momento de rico resgate histórico, ele lembrou que a catira, dança que acompanha sua trajetória, é resultado de um encontro histórico de culturas: a influência indígena, somada à presença africana trazida pelos escravizados e à viola espanhola introduzida pelos jesuítas ainda no século XVI. “A catira e a música de viola estão presentes em nossa região desde a época dos jesuítas, que catequizavam os povos originários por volta de 1593, especialmente na região de Camapuã”, explicou.
O profissional reforçou o trabalho de preservação que vem realizando ao lado da Associação de Catireiros de Camapuã, hoje reconhecida como pontão de cultura. Segundo ele, além de manter viva a tradição entre os grupos mais antigos, o foco tem sido transmitir o conhecimento às novas gerações. Para o músico, que recebeu a medalha, a homenagem fortalece ainda mais esse trabalho. “Esse reconhecimento é muito importante. Precisamos que a juventude aprenda, para que essa cultura continue viva”, afirmou.
Irmãos Diamante: A Força do Catira no Sangue

Representando a música raiz e a dança tradicional, os irmãos Marcos e André, que formam a dupla Irmãos Diamante, levaram para a capital a energia contagiante do catira. Conhecidos por sua sincronia e paixão pela arte sertaneja, os catireiros de Camapuã são a prova viva de que as tradições folclóricas continuam fervilhando e encantando novas plateias, mantendo uma importante chama cultural acesa.
Romário Amorim: O Instrumentista de Projeção Internacional

Completando o trio de camapuenses homenageados, Romário Amorim levou ao evento o reconhecimento por seu talento como instrumentista. Não é a primeira vez que seu trabalho ganha destaque além das fronteiras municipais. Romário já carrega em sua trajetória a marca de um artista de projeção, tendo sido finalista, no passado, de um prestigiado concurso mundial de música, que colocou seu nome e o de Camapuã no cenário internacional.
A solenidade na Assembleia Legislativa reforçou o papel da arte como um pilar fundamental da identidade sul-mato-grossense e provou, mais uma vez, que cidades como Camapuã são berços de talentos potentes, que merecem todo o reconhecimento e celebração.
