Catira encanta no Festival de Inverno de Bonito: tradição, vivência e muita animação

Catira encanta no Festival de Inverno de Bonito: tradição, vivência e muita animação
Uma das iniciativas mais marcantes do Festival de Inverno de Bonito é a valorização da cultura regional por meio da literatura, das artes, do artesanato e também das oficinas culturais, que oferecem experiências únicas para o público.
Entre as mais concorridas desta edição, a oficina de Catira conquistou alunos e visitantes com música, dança e tradição de mais de 400 anos.
O som da viola e o ritmo da catira
O som da viola, herança trazida pelos jesuítas, se uniu à batida do salto da bota das danças indígenas e ao compasso das palmas, ritmadas pelos escravizados. Essa mistura cultural deu origem à catira, dança popular que se mantém viva no interior do Brasil.
No festival, os catireiros de Camapuã deram uma verdadeira aula prática.
“Geralmente as crianças têm um pouco de dificuldade no começo, mas depois pegam rápido. A galera aqui de Bonito foi diferenciada, hein? Ave Maria”, comentou um dos mestres da tradição.
Experiência única para os estudantes
Alunos da Escola Estadual Bonifácio Camargo Gomes mergulharam na dança e se surpreenderam com a facilidade de aprender os passos.
“Foi muito legal, muito interessante, bem prática e agitada. Acho que dá até para formar um grupo de catira no colégio”, contou uma estudante empolgada.
Outro jovem destacou:
“É uma experiência muito única. Aprender um estilo que está sendo espalhado para o Brasil inteiro é incrível”.
A força feminina na catira
Um dos pontos altos da oficina foi a presença das mulheres, que mostraram talento e energia no sapateado. Até o século passado, elas sequer podiam assistir às rodas de catira. Hoje, grupos exclusivamente femininos ganham cada vez mais espaço, reforçando a importância da participação feminina na preservação dessa tradição centenária.
Nesse contexto, Ariane Rodrigues, presidente da Associação dos Catireiros e palestrante, destacou o protagonismo das mulheres na dança e a importância de abrir novos caminhos dentro dessa tradição centenária.
Preservando a cultura sul-mato-grossense
Girsel da Viola, que acompanha e divulga a catira pelo Brasil, ressaltou a importância de manter a tradição viva:
“Temos grupos como os Malaquias, os Clemente, os Mantenense, além de muitas crianças. Isso desperta a vontade de dançar o catira e precisamos preservar essa cultura tão linda e antiga”.
Tradição e inovação lado a lado
A oficina terminou em clima de festa, com todos aprendendo rápido os compassos e se divertindo juntos. Entre palmas, sapateados e risadas, a catira mostrou que continua atual, reunindo tradição, inovação e a alegria típica da cultura popular.
